
No conto “Mentiroso”, do livro “Eu robô”, de Isaac Asimov, a robopsicóloga Dra. Susan Calvin funde a cuca de um robô mentiroso, que diz para cada humano exatamente o que ele quer ouvir. Assim, de romances improváveis a respostas técnicas equivocadas, a máquina consegue desagradar a todos. O livro foi lançado em 2 de dezembro de 1950. Das magras 5 mil cópias iniciais da Gnome Press, vendeu milhões de cópias até agora e é editado constantemente.
Sempre me impressionei com a densidade psicológicas dos personagens de Asimov. Sempre vamos aprendendo mais e mais – com seus trejeitos, suas reações – à medida em que os contos desfilam em suas obras. Mas confesso que tenho uma curiosidade mórbida por algo que Asimov não descreveu: a formação acadêmica dos personagens.
O que teria estudado a jovem Susan, para conhecer o funcionamento de um robô, seus limites psicológicos, suas rotinas de teste ? Certamente, psicologia da educação. Mas também filosofia. E daí engenharia e física, para lidar com a minúncias de cérebros positrônicos, seus instrumentos de teste e suas fontes de força. E se um robô se move, toda a ciência do movimento (cinesiologia, biomecânica …) deveria ser conhecida por ela. Neste maravilhoso emaranhado em que Asimov nos coloca, os robôs são menos complicados que as personagens como a de Susan. Ela deveria ter estudado por décadas e vivido outras tantas em um laboratório de robótica – com aconselhamento dos bambas da cibernética. Talvez o autor tenha pensado nisso, ao nos apresentar uma cientista sem qualquer graça feminina além de um cérebro brilhante. E também podemos imaginar um poderoso sistema de ensino para mentes de altas capacidades, sempre presumido como pano de fundo. Um que talvez só uma mega empresa ou sistema militar possa financiar.
Sinceramente, não vejo Susan Calvin estudando em uma universidade brasileira pública. Uma instituição como esta, onde você precisa apagar sua história anterior para ingressar noutro curso, nem conseguiria guardar a totalidade de seu currículo.

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