Confesso que estou acometido da síndrome da melhor música. Cheguei à conclusão de que não há melhor música que a do grupo de rock progressivo inglês Genesis. Isso é paradoxal, porque sempre suspeitei que a música brasileira fosse a melhor do mundo.. Bem, pelo menos uma parte dela. Então, de onde vem essa síndrome ?
A música geralmente pode ser classificada pela análise de fatores bem determinados: a melodia , o ritmo, a harmonia, a letra, a percepção no cérebro (afinal, como nos sentimos ao ouvir ?), o oportunismo social, interpretação… Cada um desses itens se subdivide. Por exemplo, no quesito “letra” eu estudaria: adequação à música, qualidade da poesia, métrica, mensagens ocultas, enredo etc.
Depois de listar tantos critérios objetivos, percebi que havia deixado de fora justamente o mais poderoso: a memória. Então, se a música brasileira é tão boa, por que creio ser o Genesis a melhor música da história ? Memória. Melhores momentos de vida. Acho que isso conta. Além das excelentes qualidades musicais, é claro. Ouvindo Genesis, nas décadas de 1970-90, passei alguns dos melhores momentos de minha vida, com as pessoas mais queridas. Meus amigos de colégio, meus amigos de banda, de viagens. Mesmo na ausência delas, seja porque a vida nos separou, seja porque algumas já partiram, ou quando me concediam um momento de fone de ouvido, nem que fossem uns quarenta minutos, ali estavam silenciosas em minha memória. Genesis era algo que tínhamos e sempre teremos em comum.
Não existe a melhor música da história. Existe a música que se tornou inseparável da história de quem a ouve.
Quero ser sepultado com uma trilha sonora do Genesis. Qualquer uma. Até vale incluir os discos solo de Peter Gabriel (“Solo ?” Um cara tipicamente comunitário na música !). Nada de Ave-Marias (desculpe, meu mestre Georg Friedrich) ou Concertos de Brandenburgo (desculpe, meu mestre Johann Sebastian).
Se há um paraíso, ele é Genesiano: “-The sands of time were eroded by the river of constant change1”.
[1] “As areias do tempo foram desgastadas pelo rio da mudança constante.”. Verso final de Firth of Fifth, uma das obras-primas do álbum Selling England by the Pound, do Genesis.

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