Jensen Huang: Com avanço da IA, não compensa mais estudar programação ou ciência da computação.

O CEO da NVIDIA foi à World Governments Summit, em Dubai, para dizer que a IA tornará os programadores profissionais desnecessários, porque todos poderão programar. O futuro, ele diz, está no treinamento de especialistas em IA.

Bem, o Sr. Huang ganha dinheiro vendendo processadores usados em IA. Então ele foi esperto. Sugere que os estudantes se dediquem ao que ele precisa, não ? Parece o Sr. Elon Musk pedindo para parar o bonde da IA, que ele queria subir também [1]. E sim, a IA já está mudando alguns aspectos da formação de pessoal, da criação de software. Nós já ensinamos as IAs a programar (para desespero de alguns especialistas), mas o grande problema reside no fato de que essas IAs pertencem a empresas bilionárias, que cobram por isso, e cobrarão no futuro o que quiserem – numa “estratégia do traficante de drogas”. Assim, o core da IA permanece tão inacessível aos países do terceiro mundo quanto os lucrativos programas espaciais. Para criar as “IAs dos pobres”, precisamos sim, de programadores de software básico, estruturas baratas gratuitas e poderosas de computação de nuvem, internet barata e rápida, computadores pessoais baratos e, sobretudo, apoio às populações em tempos de aquecimento global e miséria generalizada – ao ponto de um jovem não precisar se preocupar consigo e com sua família, mas sim com o seu aprendizado. Em vez de pensarmos em consumir coisas de fora, devemos pensar na realização de uma infraestrutura brasileira de computação boa e barata para todos os estudantes e pesquisadores brasileiros.

Pensando no futuro:

  • Se a energia no mundo atingir preços astronômicos, onde será mais provável produzir energia mais barata ? Com a mudança climática, as represas continuarão tendo água para produzir eletricidade ?
  • A qualidade da água continuará boa para operação de hidrelétricas ?
  • Existe uma organização no Brasil pensando no futuro e elaborando cenários nacionais e mundiais ?
  • A energia atômica de baixo risco é uma opção para o Brasil ?

Veja o artigo de The Register .

[1] O bonde atômico não parou. O bonde da engenharia genética não parou e, infelizmente, o da IA também não vai parar. A humanidade conserta (ou piora) as coisas à medida em que andam. É o equivalente à troca dos pneus com o carro em movimento.