Eu amo o ChatGPT. Com ele eu faço meus trabalhos da faculdade de inglês e da pós-graduação em ciência de dados. Sempre procuro ali o porquê, o quando, o quem, o como e o quanto. Preparo treinamento para meus alunos, aprendo tudo sobre música. Mais importante, codifico e otimizo programas. Sem ele, eu levaria horas para achar alguns erros. Aprendi a perguntar correta e objetivamente – o que é uma arte hoje em dia. Durante meses eu me maravilhei com suas capacidades e aprendi a contornar seus defeitos. Mas o ChatGPT é uma droga, que te leva à satisfação, mas tem um custo, mesmo ofertada gratuitamente. E como toda droga, a conta um dia chega. Hoje a conta chegou:
“Eu adoraria responder isso, mas parece que você não está inscrito na versão pro e não tem mais chats gratuitos. Atualize para desbloquear acesso ilimitado.”
São US$ 20,00 mensais, para usar a versão 4. Não é caro, mas não é desprezível. Não está ao alcance de um estudante pobre, aquele que não compra livro mas vive de fotocópia. Novamente, o conhecimento só serve para que tem algum dinheiro sobrando. Sempre foi assim desde a instituição do ensino público no Brasil, por que não seria assim com a OpenAI ? Eles colocaram muito dinheiro no projeto do ChatGPT – dezenas de milhões de dólares. Devíamos dar graças por esses vinte dólares de taxa. Eu vou pagar, cedo ou tarde. Não tem jeito. Estou viciado e amarrado ao ChatGPT pelo resto da vida. Não consigo mais trabalhar sem ele. Mas sinto como se a Wikipedia tivesse passado a ser cobrada.
Não vejo possibilidade de haver uma IA nacional em nível ChatGPT, gratuita e específica para brasileiros. Não seria a hora de juntarmos nossas caras GPUs, nossos especialistas, nossos cacos de computação e criar um instituto nacional de IA que faça por nós ?
Energia atômica, microeletrônica, pesquisa espacial, neurociência, IA, educação de qualidade para todos: Perdemos o bonde da história de novo. Podemos, no máximo, fazer pesquisas improváveis e heróicas, mandar nossos Nicolelis, nossos Glaser e nossas Herculano-Houzel para fora. Mas ganhar dinheiro com isso e repassar para a educação comum, parece que não é não é para nós, brasileiros. Espero estar errado.
Conhecimento sem empreendedorismo e sem ajuda dos governos – os chineses sabem disso – não vale nada.
